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15 de julho de 2007

Entrevista
NANDO - ROUPA NOVA

Em 1979, com a formação atual já completa, a banda ROUPA NOVA era criada para se tornar um dos maiores nomes da música brasileira.
Com uma carreira de sucesso, neste mês, o site Sulbandas em parceria com a revista Baile Show entrevista Luiz Fernando Oliveira da Silva, o Nando, baixista e vocalista do Roupa Nova.

 
SULBANDAS – Quando vocês iniciaram, na década de 70, o grupo imaginava que seria um sucesso nacional?
Luiz Fernando Oliveira da Silva - NANDO - Naquele momento, imaginar o grupo como sucesso nacional seria, no mínimo, um devaneio. As dificuldades eram intransponíveis, o caminho era longo. Mas, no meio disso tudo, jamais deixamos de desejar ardentemente vencer. Nos entregamos de corpo e alma ao trabalho, arriscamos tudo. Penso que o tamanho da tarefa nos tornou mais fortes.
 
SULBANDAS – Vocês têm a experiência de ter tocado para um público de baile e também para grandes multidões. Qual é o público mais exigente?
NANDO - De uma forma geral, o público brasileiro é muito musical e exigente. A diferença está em que, nos shows, existe um nome conhecido na porta. Quem paga o ingresso sabe quem vai estar no palco, sabe o que vai ouvir e quem quer ver e está lá para isso. Para o público de baile, você é apenas uma caixa de som, colocada ali para ele dançar. É muito mais complicado controlar e conquistar essas pessoas. O baile é muito mais difícil, acredite.
 
SULBANDAS – O que é necessário para um grupo musical permanecer por mais de três décadas, sendo sucesso, principalmente, num mercado que exige a todo tempo novos ritmos e formatos?
NANDO - Um artista tem somente dois patrimônios a defender:
1- Sua musicalidade, sua capacidade de desempenhar seu instrumento, o contato que ele tem com a música.
2- As pessoas que ele consegue conquistar e transformar em seguidores, fãs.
Se você cuida dessas duas facetas, com carinho e dedicação, é possível permanecer com sucesso muito tempo.
 
SULBANDAS – Tendo o grupo vivido diferentes etapas do processo de evolução da indústria fonográfica brasileira, o que você destaca como sendo positivo neste evoluir? Por quê?
NANDO - Na verdade, a indústria fonográfica, no Brasil, ao contrário de evoluir, involuiu e muito, nos últimos seis ou sete anos. Perdeu o contato com o todo do País, concentrando decisões importantes em SP e RJ. Perdeu o contato com o verdadeiro gosto do público, ao abusar da prática de jabás para execução e perdeu, também, o contato com os avanços tecnológicos, as novas formas de se comprar e ouvir música. A decisão de deixar as gravadoras e criar a RN Music veio dessa decepção, da constatação desses fatos por parte do Roupa Nova. O sucesso comercial dos dois acústicos e de nossas mais recentes temporadas de shows provam que tínhamos razão ao tomar esse caminho.
 
SULBANDAS – Quais os fatores que fizeram o Roupa Nova lançar a gravadora“ RN Music”?
NANDO - Como já disse, a decepção total com o MainStream da indústria. A falência artística e comercial das “grandes gravadoras”.
 
SULBANDAS – Quais as vantagens em ter um próprio selo?
NANDO - Controle total sobre sua vida artística, seu destino. É a única e grande vantagem.
 
SULBANDAS – Muitas bandas de bailes se inspiram na trajetória de sucesso do Roupa Nova. O que vocês diriam para esses grupos musicais que almejam um dia chegar perto do sucesso de vocês?
NANDO - O único caminho é o trabalho. Parar de achar que a profissão é uma festa, perceber quantas coisas podem ser feitas, para se melhorar a qualidade da própria performance, olhar sempre para os detalhes com carinho. Respeitar quem pagou para ouvi-lo e vê-lo. Sempre!
 
SULBANDAS – Músicas como Dona, Coração Pirata e tantas outras continuam em evidência, mesmo tendo sido lançadas, há anos atrás. Existe alguma música que o público ainda pede nos shows, mas o grupo não agüenta mais tocar?
NANDO - Não. Cada canção que se torna sucesso é como um filho que merece todo nosso carinho e atenção.
 
SULBANDAS – Atualmente, em todos os campos, as perspectivas são de uma tendência de segmentação de mercado e de público. Isso ocorre também na música? Como vocês analisam essa nova possibilidade?
NANDO - A segmentação no nosso ramo vem de cima para baixo. Das rádios, dos analistas e das gravadoras. O grande público vê música como um todo e a divide apenas em duas categorias. “Eu Gosto” e “Eu Não Gosto”.
 
SULBANDAS – Se a resposta da questão anterior for positiva, como o Roupa Nova iria se inserir, caso já não tenha entrado, neste novo contexto?
NANDO - Posso dar como exemplo as pessoas que freqüentam os shows. São de todas as faixas etárias e de todas as “tribos”.
 
SULBANDAS – Quais são as metas profissionais do Roupa Nova para o futuro?
NANDO - No próximo ano, consolidar o selo RN Music e começar a lançar outros artistas, o mais breve possível.
 
SULBANDAS – O que pode ser adiantado para os leitores do site Sulbandas e da revista Baile Show?
NANDO - O Projeto de Natal no qual estamos trabalhando. Para este ano ainda.
 
SULBANDAS – Com toda essa trajetória no mundo musical, o grupo deve ter passado por muitas dificuldades como também por muitas alegrias. Conte-nos resumidamente alguns desses momentos vividos pelo Roupa Nova.
NANDO - Este momento de lançamento do selo e dos acústicos é um exemplo de alegria e tranqüilidade. Os dois anos que precederam a isso foram difíceis e complicados, foi preciso ter cabeça.
 
SULBANDAS – Para encerrar, deixe um recado para os muitos fãs do Roupa Nova, que lêem o site Sulbandas e a revista Baile Show e que sempre prestigiam as letras do grupo.
NANDO - Cabe um recado apenas. Muito obrigado, pelo carinho e compreensão inesgotáveis, todo esse tempo. Esperamos estar conseguindo retribuir.
 

:: ESTA ENTREVISTA FOI RETIRADA INTEGRALMENTE DA REVISTA BAILE SHOW
Ano III, nº 13, Junho/Julho 2007::

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