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1º de março de 2007

Entrevista
FÁBIO REICHERT
Estúdio RH

Fábio Reichert, do Estúdio RH, bate um papo legal com a equipe do Sulbandas.com.br contando como é o trabalho de gravação, suas etapas e processos. Ele aproveita pra contar um pouco mais sobre sua vida e suas opiniões com relação à música do Sul do Brasil. Boa leitura!

 

 
SULBANDAS – Como consiste a gravação de um CD. Quais são as etapas de todo o processo de gravação?
FÁBIO – Depois do repertório selecionado, deve-se escolher um estúdio de confiança e ter em mente os músicos que vão executar os instrumentos (no caso de participações especiais). Os passos são: -Gravação, -Mixagem, -Masterização e –Prensagem. Não esquecendo que antes de entrar em estúdio deve-se ter as músicas devidamente arranjadas para não perder um tempo precioso dentro do estúdio, o que só causa stress desnecessário.
 
SULBANDAS – Com relação aos registros musicais. Explique-nos como são registrados os direitos autorais e intelectuais, contratos, royalties, aspectos legais em geral?
FÁBIO – Antes de pensar em re-gravar qualquer música é imprescindível ter em mãos a autorização por escrito, na maioria das vezes não apenas do autor mas também da gravadora, editora, etc... Quanto à questão do registro das letras para ter seus direitos reservados, eu sempre aconselho o autor ou mesmo músico a se filiar a um órgão competente (SBACEM ou outro) que costuma dar todo apoio legal nessa questão.
 
SULBANDAS – Qual artista te surpreendeu mais em estúdio? Pela postura musical, pela inteligência, pela educação, por dar abertura para a sua opinião e, principalmente, pelo profissionalismo no trabalho musical?
FÁBIO – Muitos me surpreenderam, mais pela cultura musical do que por qualquer outro motivo. Muitas vezes tem se a idéia de que fulano só sabe fazer aquilo que canta ou toca nos bailes, shows, e isso não é verdade. Um músico ou cantor para ser bom no que faz tem que estudar muito, escutar um pouco de cada estilo e saber um pouco de tudo. Citar nomes seria deselegante com muitos artistas que respeito. Ou teria que citar tantos nomes que poderia acabar esquecendo algum.
 
SULBANDAS – Na sua opinião, com o advento do MP3 e novas tecnologias, como a música será consumida no futuro?
FÁBIO – Acredito que basicamente vai se resumir a um simples baixar de arquivos. O MP3 tornou tudo muito mais prático tanto pela qualidade do áudio quanto pela sua praticidade. Só que esbarramos no lado negativo da pirataria. Se por um lado ajuda a divulgar o trabalho do artista, por outro, não lhe rende nada. Ainda é uma faca de dois gumes.
 
SULBANDAS – Fale sobre o seu início na profissão.
FÁBIO – Foi muito complicado e às vezes até humilhante. Pouca gente acreditava que poderia dar certo. Trabalhei muito sem retorno financeiro, estudei, estudei e estudei muito até me sentir seguro nas minhas opiniões. Comecei a bater de frente com grandes estúdios e tive que lutar muito para conquistar um espaço ao sol. Porém descobri que vale muito a pena acreditar em si mesmo, no seu potencial e investir naquilo que se acredita.
 
SULBANDAS – Quando você não está trabalhando, qual é o tipo de música que você gosta de ouvir?
FÁBIO – De tudo. Há 15 minutos estava ouvindo música sertaneja, agora estou ouvindo Midnight Oil, Nazareth e Cia do Calypso. Gosto de misturar tudo, a gente consegue acompanhar as tendências e o que esta rodando nas rádios. O ouvido do povo continua sendo o melhor termômetro.
 
SULBANDAS – Como você lida com bandas que querem gravar um disco mas as condições musicais não passam de vontade de gravar, ou seja, não tem noção ou qualidade musical alguma?
FÁBIO – Esse é um fato que acontece muito. Não faço muito rodeio para falar o que eu penso. Muitas pessoas já ficaram chateadas comigo por isso, mas ainda acho que falar a verdade e ser franco é a melhor política. Se acho que os caras não tem condições falo logo. Prefiro deixar de ganhar o dinheiro do que enganar alguém.
 
SULBANDAS – Hoje com o grande número de bandas, os horários de estúdios chegam até a não dar conta da demanda, quanto tempo é necessário para realizar uma masterização com qualidade e bom gosto?
FÁBIO – Bom, tudo depende do trabalho a ser feito. Podemos gravar um trabalho todo em uma semana, como também podemos ficar duas ou três semanas no mesmo trabalho. O diferencial mesmo está nos músicos que vão executar o trabalho, eles é que ditam o ritmo do trabalho.
 
SULBANDAS – No que as bandas pecam mais na gravação de um CD ou música?
FÁBIO – Eu poderia dizer que é na escolha do repertório, mas nem sempre posso me envolver nesse lado, então na parte que mais me compete eu diria que geralmente é na escolha dos músicos que vão executar os instrumentos. Nem sempre um bom músico de palco é um bom músico de estúdio, e vice-versa.
 
SULBANDAS – O que você acha sobre as atualizações musicais das bandas. Muitas ainda ficam paradas no tempo? A grande maioria procura se atualizar a cada dia que passa? Ou este papel fica a seu cargo como produtor?
FÁBIO – As bandas em sua maioria evoluíram muito no lado musical, abriu-se um leque muito grande de estilos e tendências. Algumas procuraram evoluir enquanto outras procuraram manter suas características. Como produtor musical procuro sempre manter o estilo da banda ao mesmo tempo em que tento manter a cabeça aberta para novas idéias. Geralmente quando uma banda me procura é porque quer tentar encaixar idéias novas em cima de uma determinada característica da banda.
 
SULBANDAS – Hoje, na maioria das bandas, nem sempre o que foi feito no estúdio é o que se vê no palco, ou seja, na maioria das vezes as bandas contratam músicos para colocarem determinados instrumentos em um novo trabalho. Na sua opinião, o porquê isto acontece?
FÁBIO – Isso se deve ao fato de que o ouvinte e fã está se tornando cada vez mais exigente. A qualidade de som dos trabalhos de banda está tendo que competir diretamente com os trabalhos dos TOP sertanejos e POP nas rádios. O povo ouve e compara. Se não tiver soando bem ele não gosta. Isso fez com que as bandas tivessem mais cuidado com a qualidade do áudio do seu CD, contratando alguém para executar da maneira mais apropriada à gravação um determinado instrumento. Como já disse, um bom produtor zela para sempre, mesmo que com outros músicos, manter a característica da banda. E isso não desmerece de maneira alguma um bom músico de palco.
 
SULBANDAS – As bandas estão tomando grandes proporções sobre execução. Qual você acha que á a principal inspiração? Aquele estilo que as bandas se espelham para sempre melhorar ou até mesmo para seguir, conquistar ou manter seu espaço no mercado?
FÁBIO – Na verdade eu acho que quem dita o ritmo é o próprio mercado, o próprio consumidor. Ninguém mais se contenta em ir a um baile ou show e ver um bando de estátuas em cima do palco. Se você vai a um show de grande porte e gosta do que vê e depois vai a um baile e vê um cemitério em cima do palco, perde a vontade de voltar. Nossas bandas de baile, hoje, tem condições de apresentar espetáculos muito bons, dignos de âmbito nacional e por que não internacional? Pode-se até dizer que estamos ditando moda, impondo um padrão de qualidade para os shows. Quem agradece é o público que é o motivo principal de tudo.
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