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16 de março de 2007
Entrevista
BERTOLDO WZORECK
USA Discos e Rádio Menina FM
Nos últimos anos tivemos duas surpresas no país, uma agradável e outra nem tão boa. O Brasil está entre os dez países com maior incidência de pirataria musical, apesar de a participação de CDs piratas no mercado ter caído de 52% para 40% entre 2003 e 2005. E o estilo de bandas vem crescendo e tomando proporções admiráveis no mercado. Antônio Bertoldo Wzoreck, assessor de marketing da gravadora USA Discos e coordenador artístico da rádio Menina FM de Balneário Camboriú, Santa Catarina, conversou conosco a respeito desses dois assuntos.
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SULBANDAS - As gravadoras e artistas reclamam da pirataria, mas pouco se vê contra este crime, a quem se deve atribuir as responsabilidades contra este fato e por quê? |
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BERTOLDO – Na verdade a classe dos artistas e gravadoras já está fazendo o que é possível para combater a pirataria, pois como sua pergunta mesmo diz reclamam e muito, em todos os órgãos de imprensa possível e mais, todo o brasileiro sabe o que é ou não pirata, mas nunca foi dado a quem é dono de fato o poder de tirar de circulação, por exemplo, um produto seu pirateado. Muitas vezes passamos em lojas, postos de combustíveis e lá tem produto pirata. O artista, na maioria das vezes, não pode se quer manifestar sua dor de ver que o seu suor, que o seu trabalho esteja sendo usado de maneira indevida. Se o CD fosse remédio, provavelmente já teria matado muita gente, afinal de contas todo mundo quer o melhor para a sua saúde, mas CD pirata parece até normal no pensamento da coletividade brasileira.
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SULBANDAS – Na sua visão, qual é a culpa das gravadoras no que se refere à pirataria? |
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BERTOLDO – Sinceramente, nenhuma. A culpa é do governo que não gera oportunidades para que o povo brasileiro possa ter condições de escolha e também por tributar tão alto a produção musical neste país. Imagine que o seu artista preferido, que o CD ou DVD que você está pensando em comprar custe 50% menos, você com certeza o compraria. Sem impostos este é praticamente o valor real de um CD, o preço que o pirata pratica, já que ele não paga ninguém. |
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SULBANDAS – Tem um ditado que diz “a união faz a força”, mas entre as gravadoras do sul vemos a cada dia que as parcerias estão longe de acontecer. Você acredita que possa haver uma conscientização entre os empresários e diretores do mercado fonográfico para melhoria, combate a pirataria, renovação de mercado? |
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BERTOLDO – Acredito que este é um caminho que já existe, mesmo cada um fazendo de sua forma separadamente, o pensamento e a linha são o mesmo. A melhoria toda a empresa está ativamente buscando, tanto na qualidade de áudio como no casting artístico, o combate à pirataria está estampado em cada CD, em cada telejornal e a renovação do mercado vem acontecendo dia a dia e de forma muito bonita, pois mesmo com o caos que a pirataria nos empurra a preocupação de artistas e gravadoras ficou ainda maior, é necessário ter um bom produto para não ficar parado nas lojas. |
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SULBANDAS – O estilo de bandas vem crescendo e tomando proporções admiráveis no mercado. A que se atribui este crescimento, você acha que é um crescimento passageiro ou já tem seu espaço garantido nas rádios? |
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BERTOLDO – Primeiro, a qualidade. A musica “bandinha” como era chamada, hoje é música brasileira, e música popular, fato que aconteceu com o sertanejo que hoje é considerado musica popular também. Creio que vai continuar crescendo e muito, o som feito pelas bandas atingiu o gosto popular e quando o povo a elege nada pode dar errado. O espaço oferecido para as bandas ainda não é o ideal, mas vem aumentando dia a dia. |
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SULBANDAS – Com o crescimento do mercado, é natural que surjam outras novas bandas para se aproveitar de um “filão” que está em ascensão, mas muitas bandas novas são criticadas por aquelas que se dizem fazer parte do “alto escalão”. Existe realmente este “alto escalão” ou nos dias atuais qualquer banda pode se destacar fazendo com que todas estejam no mesmo patamar? |
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BERTOLDO – Esta pergunta tem os dois lados. Tem muita gente que está tentando aproveitar um nicho novo no mercado, algumas vezes sem condições nenhuma, atrapalhando outros artistas que poderiam estar melhores no contexto musical. Por outro lado, tem também muita gente boa surgindo e que poderiam já estar no topo, mas pelo problema anterior o espaço torna-se menor para sua divulgação. As bandas que estão crescendo só devem ter uma idéia na cabeça: quando criticadas por outras é porque os que criticam gostariam de estar no espaço que eles já alcançaram e todos, se buscarem qualidade, podem sim ser do time número um. |
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SULBANDAS – Como radialista, o que as bandas podem fazer para ganhar o espaço nas emissoras de rádio? |
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BERTOLDO – Simples, freqüentá-las. |
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SULBANDAS – O que uma banda não deve fazer para tentar ganhar espaço nas emissoras? |
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BERTOLDO – Jamais discuta com um radialista, ai queima realmente o filme. O negócio é estar presente, pois quem não é visto não existe. |
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SULBANDAS – Muitos artistas usam de favores e até mesmo pagamentos (famoso Jabá) para entrar e permanecer na mídia. Qual a sua opinião a respeito? |
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BERTOLDO – É a pior maneira de tentar fazer sucesso. Foi este tipo de ação que acabou com a maioria das gravadoras multinacionais. Se o produto é bom vai tocar e o povo vai pedir. Radialista nenhum quer ficar por baixo na audiência, além de ser triste para o artista saber que sua musica só está rodando porque ele pagou. E se a rádio não tem condições de se manter com o seu quadro de anunciantes como poderá proporcionar sucesso a uma banda? Creio, sim, que realizar alguma promoção beneficiando a banda e os ouvintes da emissora é realmente um caminho mais produtivo, mas cada um sabe o que está buscando. |
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SULBANDAS – Para finalizar, baseado em sua experiência no mercado fonográfico, você poderia nos contar qual foi à produção que realmente marcou sua carreira até aqui? |
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BERTOLDO – Tenho duas que me deram muito prazer em fazer: a produção geral do DVD do Grupo Rodeio, gravado em Caxias e mais recentemente o DVD “Fábrica do Vaneirão” que ficou lindo. Foi emocionante participar de tamanho projeto e de receber neste trabalho a confiança de nosso diretor, Alex, que nos deu total liberdade para que junto com toda a equipe de áudio, vídeo, artistas e da USA Discos realizasse esta obra prima. Feliz estou também, pelo convite feito pelo Grupo Garotos de Ouro para participar na produção de seu DVD que acontece neste ano. |
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| :: PARA LER ESTA ENTREVISTA NA ÍNTEGRA, LEIA A NOVA REVISTA BAILE SHOW – ANO III, EDIÇÃO Nº 10 – “UMA GRANDE REVISTA PARA GRANDES LEITORES”:: |